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[11 Nov 2004|11:13pm] |
Anjos dormem sobre as sobrancelhas das águas, enquanto a lua serpenteia à superfície, molhada de cores e reflexos, nua, crua, suplicando que as águas deixem que seja o espelho das asas, gritando a boca que devora os lábios, gritando as pernas que devoram os joelhos, e todos os membros caíndo fora de si devorando-se a si próprios na mobilidade que os atrai,
Gotas de chuva caem a desfazer a lua, e o lençol de água assemelha-se a cataratas, ondulantes como cortinas parecem plástico que rasga a lua e se insere como pedaços recortados na sua forma, uma lua que é no fundo uma espiral marejada de água, marejada de recortes da cor do queijo sem perspectiva,
Parece um disco-voador por sobre as águas cujo negro se agita, e dança frenéticamente a distorcer-se, primeiro com rosto, agora opaco, numa mistura de rabiscos, numa dança ubíqua, quer dentro de si mesma, quer fora por sobre as águas,
Um peixe gigante sobe do fundo das águas e vem beijar este estranho objecto-lua, acarreta-o na sua boca e principia o vôo começa a ir de encontro ao céu, as escamas deitam feixes de luz, e todo o céu se raia de brancura até perder-se de vista.
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[11 Nov 2004|03:24am] |
Agora que foste já não tenho sandálias nem o intenso cuidado da dedicação tenho uma bússola de pedra , uma pedra um objecto que agarro com a força de não ter onde o largar juntaste os trapos e caminhaste sem palavras atirei-te um beijo ias já nas berlengas a falar espanhol com um casaco soviético , aqueles quase mantos que te mascaram por não teres onde te largar as palavras , as fórmulas , a mudez , por fim de te conhecer tão de perto que a carne é a mesma que nada traz de novo a nudez que já ando descalça há tanto tempo , e os meus pés fazem parte desta terra eu sei que até ao outro lado do mundo há sandálias de ouro , objectos e adornos algo de bravo e de estrondoso , mas posso estar aqui a imaginar como seria se esta terra fosse o mundo , ou um inferno para o meu corpo largado a alma está doente , o sonho caíu na ressurreição do corpo , vampira ando nas ruas de pedra na mão julgando a magia , o ouro , a letargia e não a quero largar .
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| o homem sonha de negro |
[11 Nov 2004|03:13am] |
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o homem sonha de negro, quando a colheita foi arrastada pelas águas, e o sol cristalizou as lágrimas sem alimentar a boca. tem duas mulheres na cama, dois cérebros que morreram da sua contradição. tem duas bruxas na sua cabeça, dois cérebros tementes a Deus que fazem com que os braços percam a velocidade nas colheitas, percam a vontade mesmo antes de o saberem morto. o homem atravessa o campo com uma pressa particular, mesmo antes do nascimento do sol, vai contra o rio e, feiticeiro, faz com que águas inundem todo o campo, embrenha-se no lençol de água e é cristalizado ao nascer do sol. está no meio do rútilo, e agora não é triste o homem, agora conjuga-se numa apatia de clarividência e de perfeição. desdobra os braços a custo e o cristal parte. o campo está queimado, ruíu com a sua imortalidade. o homem tem duas arestas, o sol a chuva… as lágrimas na sua face enxugada são a área do seu desespero que se desvanece antes de ser definido. é um quadrado ou o rectângulo ou a supremacia perante a deficiência de Pitágoras. o homem é hectares de campo e de maravilha. mas sonha de negro. busca rapidamente nos bolsos algo de sóbrio e de concreto, mas as palavras maculam-se à nascença. só aquele quadrado de campo… esconde-se rapidamente num dos vértices e conta histórias. conta a história dos feudos e das lâminas apertando as goelas. conta a história do azul do céu ser a salvação do paraíso, e diz que vê, ele vê o campo pairando por cima dele. e morre de angústia. ninguém consegue sublimar sem angústia. acorda cedo, percorre o campo todo sempre à procura de algo nos bolsos enquanto vê o campo a pairar por cima dele… e grita canções muito estridentes de agonia. volta a casa e senta-se ao piano sem memória.
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[18 Oct 2004|05:10pm] |
É miserável a minha condição: encetei um rumo norteado, digamos que sem cabeça, mas logo aconteceu o recado: não dar ouvidos ao que vejo. Adubo o sentido duma forma que é errada à partida, já não sei que aresta sondar se a imagem assim mo diz, e vejo mas não ponho por escrito, a secção de imagens é no cinema. Vou dar ouvidos à última das concepções criadas, mas se aquela é uma imagem, logo me traz o olvido, não basta um segmento quanto mais um batido. Se do A vamos para o B então eu sou o desnorte, talvez nem C me sobeje, para a mediana da antítese.
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[18 Oct 2004|05:09pm] |
Para quê falar de roupa velha quando o assunto é a morte de um estrangeiro? Ficava lá na terra dele tão distinto e dava de comer ao perdigueiro. Era homem com sombras pelos cantos porque ao centro não há certo nem errado, menos um N e centro fica certo mas tem que se trocar o R letra depois, e o canto cantam todos os catetos, paredes inocentes da verdade.
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| O demente |
[18 Oct 2004|05:08pm] |
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Tem mais piada contar uma história verídica? Ou uma história inventada? E história não é estória. Mas quando a estória é ilusória, então história será. Porque de ilusão geralmente se vive, e uma história não é encantada. Mas filosofemos... Que o dia não pode ser gasto na capela! E um bom filósofo é ateísta! Não gasta o vinho sem o analisar. E quando é vinho é "produto das uvas ultra" porque o filtro da "máquina absoluta" fez com que de U lamentasse tristeza ritual aliciante. Mas passam todos os dias na capela! E eu que sou um "non-plus-ultra" em conjugar orações para que delas saia um bom discurso de padre, e rio com os amigos de "Padre o teu ventre é um fruto" falo comigo e ainda como uma ameixa. Em conversas de alter-ego teatro faço mas com lógica! Um pouco de psicanálise nunca falta ao bom filósofo! E se falo em solilóquio descabido é porque tem lógica juntar as palavras num só tecido! Mas sem contexto não pode ser... Mas ponho um ponto e uma maiúscula! "Padre. O teu ventre é um fruto." Padre! Padre Padre! Isto sou eu a ralhar comigo... O teu ventre. Ok. Passo. O teu ve(n)cto-r(e), o teu vento! Ai que coqueluche... De atritos de oiro. Como todas as cerejas cristalizadas da tua coqueluche... Sim! Já sou um poeta! Vem direito a mim esse vector, e eu em vez de fugir fico no mapa dos criminosos. Estou em Praga! Que bom! Encontrei o meu Odradek que me disse que eu sou filósofo. Pronto, e isto é a minha filosofia. Eh pá desculpem, não aprendi lógica. O bom filósofo sabe lógica! E isto não tem lógica nenhuma. Mas quem sou eu? Algum poeta? Talvez seja um demente-assumido!
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| Eu, tu, a sombra |
[20 Sep 2004|07:23pm] |
Vieste ter comigo com os braços ensanguentados talvez da penumbra em que te envolveste, por vezes, a penumbra faz com que o corpo se fira, o mistério expedito dos buracos negros, as espirais a remoerem na pele sensível, o som baralhado cheio de ecos na boca fulva da entrega, Vieste ter comigo tinhas a sombria face em ruínas os braços feridos, estragados, lançados para o ar a tristeza de um remorso que te empatou a necessitada simpatia que poderias vir a ter com quem te rodeava, o cansaço de uma tensão que lentamente te foi comendo os músculos já insones, já usados giratoriamente, Não te reconheci o corpo que me dirigias tentando vociferar algumas palavras elucidativas, uma mescla de ti e de sombrio, talvez tenhas escondido a sombra desde os tempos em que primeiro te conheci, talvez tenhas andado com ela dentro dum coração cheio de reboco que não tivesse conseguido aguentar irrespirável até agora que a mostras, Fechei os olhos ainda confusa de me teres interpelado dum modo que eu juraria nunca ouvir a música mais comovente e louca ao mesmo tempo, fechei os olhos e fingi lembrar-me que eras tu que me tinhas acompanhado a primeira visita ao mundo, quando havia muita luz, e eu me admirava ainda a medo, Agora já não havia luz, mas agora também não via nem a ti, nem à sombra, agora fechei os olhos e adormeci um sono tão profundo que apenas acordei quando a sombra desapareceu.
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| Apetece-me escrever um poema |
[11 Sep 2004|07:55am] |
Apetece-me escrever um poema Um poema incolor Um poema com nome de poema Um poema discreto
Nunca tive jeito para poemas Nem tampouco tenho as tuas mãos Se fossem necessárias mãos para escreverem poemas Então eu não escreveria poemas
Mas eu escrevo poemas Mesmo sem jeito os escrevo Mesmo sem as tuas mãos os escrevo Ai, se fossem necessárias as tuas mãos!
Apetece-me mesmo escrever um poema Mas que hei-de fazer Se estou a escrevê-lo sem mais não? Um poema incolor Um poema discreto Que hei-de fazer Se não o estou, realmente, a escrever?
Nunca tive jeito Tu dizes o oposto, fartas-te de dizer o oposto Porque as tuas mãos As tuas mãos o recebem
Que estou a fazer aqui? Quem és tu, folha de papel? Como vim aqui parar?
Um poema como um deserto Um poema como uma vida Um poema sem nome Conseguirei escrevê-lo?
Apetece-me escrever um poema Um poema que venha da juventude das tuas mãos Ou que venha da cor de cal da tua face Da tua face de papel
Mas continuo sem o escrever Mas continuo a escrevê-lo E tu queres descanso E tu queres Um poema discreto
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| Não consigo criar a beleza dos adornos |
[10 Sep 2004|11:55am] |
Não consigo criar a beleza dos adornos Venho do tempo remoto que lançou O seu ceptro incadescente sobre meus braços E agora só sei o que calcina E agora só sei desarmar E agora venço derrotada a realidade. Não consigo criar a beleza dos adornos Não tenho mãos macias de as cuidar Jamais as multipliquei por mil Para que o hábito de as verem fizesse com que as amassem Jamais as levei ao rosto Para beijá-las solenemente entre as lágrimas salgadas De um mar amável. Não tenho os lábios loiros de beijar As mãos macias de oiro e de magia. Não tenho a magia A magia As canções ou outro dom Não consigo criar a beleza dos adornos. Não consigo criar a beleza dos adornos Responder em tempo móvel à maldade À maldade que me têm À maldade que lhes tenho porque não consigo Não consigo criar a beleza dos adornos. Não consigo amá-los Não consigo amar cada um em sua concha Essas pérolas aquáticas que me cantam Que cantam sozinhas e com vida Oh, e que cantam sem mim! Cantam sem mim e eu não consigo Não consigo criar a beleza dos adornos.
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[10 Sep 2004|11:54am] |
Varia a época do beijo Estático sob o tecto memorável Atrevo-me a desexistir-te A desexistir-nos A descobrir artefactos tão óbvios Na acção manual impensada Será que o impossível do amor nos faz recordar Aquele beijo junto ao rio? Ou o amor eregido num deserto de beijos Nos faz estimar os únicos? Atrevo-me Atrevo-me Sabes que nunca me contaste de como Foi aquele beijo junto ao rio? Que nunca sentiste um arrepio na pele Ao recordar a existência do meu corpo? Variam as épocas, os apetites A necessidade do teu corpo preencher-me Encher-me de vidro fofo, de relevos Por tocar o teu E eu atrevo-me A desexistir-te Vou agora Vou agora recordar pela primeira vez Aquele beijo que demos na saleta que faz esquina Com um candeeiro muito largo de ferro forjado Um candeeiro gigante, um candeeiro que parece O fantasma duma árvore que parece uma pessoa, Um candeeiro que tinha uma luz que contornava A esquina e se deitava na parede de esquina Da saleta que faz esquina com o candeeiro De ferro forjado. Vou morrer O meu corpo vai desaparecer aos poucos À medida que me vou recordando daquele beijo O meu corpo vai aparecer aos teus olhos Vais-te recordar exactamente, e à medida, Do meu corpo à frente dos teus olhos Dentro da tua cabeça O meu corpo que vais ter vontade de possuir O meu corpo que nunca existiu Vou-me recordar pouco a pouco daquele beijo «Momento de pausa» Ainda não me recordei Ainda não me recordei Vou-me recordar da carícia com a língua Já não sei se a tua ou a minha Agora é só a língua A língua isolada numa carícia Já não sei se a tua ou a minha Agora já não há beijo Agora há só uma pequena parte do beijo Que se vai desvanecendo O meu corpo que ia desaparecer vai aparecendo Vai aparecendo e nunca desapareceu e nunca apareceu E nunca apareceu aos teus olhos E o meu corpo desexistiu-se Atrevo-me Nós desexistimo-nos E o meu corpo está aqui como sempre esteve E tu estás aí Sossegado em andamento e nunca viste o meu corpo E eu vou andar, também, um bocado Passear à beira rio Atrevo-me Atrevo-me.
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[10 Sep 2004|11:54am] |
quis apenas um sol abertas as portas abertas as flores aberto o céu à ira aberto o caminho de uma longínqua agulha a camada da delícia a camada do beijo o fundo mais ténue de uma luz envolvente quis apenas conhecer os segredos de um deus como arrastaria o sol pelos campos como se voltaria de costas ao poente vivi em tempo de luz o martírio a cruz fui poeta embriagado decadente abandonado recusei as primaveras das nascentes consumi o discurso de um labor consumado e de arado cultivei a sépia apaixonada de momentos desejosos de se encarcerar nas colinas de um sonho mais profundo quis apenas um sol uma descoberta um lamento um toque das ciências que vazam seus dedos em interditas poeiras que cheiram a alecrim em ruas desertas em ruas desertas no mistério da juventude mais em flor que o tempo que o tempo interditado e contado e consumado pelas fragas de uma falésia iluminada quis apenas estragar o tecido da luz num relâmpago absorver toda a inércia cantar brevemente uma música resistente quis apenas um sol abertas as portas abertas as portas.
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[29 Aug 2004|04:28pm] |
Alegremente pegas fogo a uma flor Sem olhar à vida que atinge o corpo Ao odiável estremecimento de vida À última respiração adoecida Alegremente e sem olhar a vês em cinzas Grávida de ti e da riqueza De lhe teres dado o dióxido de carbono Do mundo que a privou de autonomia Alegremente pegas fogo a uma flor O corpo atómico e célere e deitando fumo Junto à flor que achaste entre muitas O corpo rasgado de suor, soprando calor A flor - rica, inerte, no auge -, Vais a passar, deitas-lhe um olhar mentiroso Vais a passar Vais de passagem Alegremente pegas fogo àquela flor Flor única doente já morta Flor Flor morta Podia ser um nome de mãe, um nome de avó Podia ser um nome doente, um nome de louca A flor estendida no chão em cinzas Respirando o último segundo da tua boca Julgando-se com sorte por ainda roçar o teu corpo Depois morta Flor morta Alegremente.
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| DOS NORTES ME SAÚDAS |
[09 Aug 2004|10:58pm] |
Vi-te ao longe, ainda nítida, mostravas a cara cosida Numa flor soturna desmembrada, dando a perceber Uma mancha d'água das veias que imigraram No espaço de um olhar desligado de seu redor.
Destruiste os contactos da distância circular E, num rodopio, beijaste a clarabóia das lamúrias Como se a propulsão te enformasse com misericórdia E o teu coração destilasse aço doce.
Na distância de um imprevisto contornei-te E o céu assistiu a loucura do vácuo na linguagem Retornei a casa sem um pássaro no pulso cortado.
Desabou a fronteira de teus nervos nus Voaste, correnteza, no âmago fértil do incêndio Deixando cair as pernas no vento.
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[05 Aug 2004|12:55am] |
Prioritário é o salto do lugar que redime A voz construída num momento Despeço-me dos espectadores agredidos agressores Encontro um estilhaço inomeável numa sombra E o rastro desenvolve o que eu abdico nos mitos Uma madeixa perdida num agrupamento de manchas Me admiro de estar de saúde ainda Nas casas as estrelas desagradam A movível condição das janelas aos cantos Deitadas esticadas para não ferir os dedos porque são vidro E a abertura é o perigo de estarem à vista Os cantos onde escondemos os tesouros Prioritário é o anestesiar do contrapeso Em poucas palavras uma ajuda ao momento Em que não temos braços para segurá-lo Ainda Uma precaução com a boquiabertura inflamável E destemermo-nos do fica para lá das colinas Quando nos viramos de costas para Marte Uma verdade diluída na desatenção Pois as flores se multiplicam com o vácuo Estoirando a névoa dos espinhos No tímpanos suicidários já em ruínas que se liquefazem Dos rastros que deixámos nos quintais.
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[04 Aug 2004|05:56am] |
Não admiraria se bebesses os espinhos Isto numa falácia ao horizontal Se é que me entendes: O abrigo das palavras tolhe-se Uma nevrite doente ocasiona a semente E num desatino onde desembocam as células A ave atordoada deixa cair os olhos Na neve cantante do equinócio Nascem assim os meus dedos duros Não admiraria se os bebesses.
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| Pautas os teus braços pela sombra |
[04 Aug 2004|05:54am] |
Pautas os teus braços pela sombra Que acolhe o osso das folhas O desmaio da cor da luz São efémeros teus braços naturais Pois a linguagem corrente Só me permite dissipá-los À sombra de uma árvore ramificada,
Monótono é o canto sempre igual Nas palavras que se cantam várias vezes A sombra respeita a direcção Mas o teu sentido não,
Pautas os teus braços pela sombra Deixa-los ficar caídos levemente Sobre a folhagem já despida De sequência decrescente crescente Pois o vento assim o proporciona,
São como folhas os teus braços Naturais oh tão naturais Que em queda se inundam de sombra E me dizem o que o vento sopra.
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| V |
[01 Aug 2004|10:09am] |
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| IV |
[01 Aug 2004|10:08am] |
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| III |
[01 Aug 2004|10:05am] |
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| II |
[01 Aug 2004|10:02am] |
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